segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

AS SUB-REGIÕES DO NORDESTE

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Região Nordeste tem nove estados incluídos na classificação do IBGE, são eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e, mais a área do norte de Minas Gerais que está dentro da região geoeconômica nordeste em virtude das características comuns ao sertão nordestino. Ou seja, o clima e vegetação são muito parecidos com os da região Nordeste, as características culturais, sociais e econômicas também.

Há quatro sub-regiões nordestinas: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio Norte.

A Zona da Mata ocupa a área litorânea, entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Em relação aos aspectos naturais, essa área apresenta diversidades internas. Existem áreas onde a mata é espaçada, e outras com mata contínua e densa; na foz de vários rios encontram-se os mangues.

O solo é argiloso, profundo, escuro e pegajoso (massapê), rico em matéria orgânica e formado pela decomposição do gnaisse e do calcário, características que favorecem a cultura canavieira. Em seu último trabalho, João Silva, célebre compositor da música Brasileira, gravou “canavial”, veja um trecho:

Canavial.... Relampeou, já trovejou vai desaguar, o meu açude esse ano vai sangrar, pra vazante virá brejo e minha cana apendoar (Botar pendão, o milho ou a cana).

Entre os vales dos rios, onde o solo (areia) é na altura da canela, aparece uma vegetação com características de Cerrado, os caboclos por lá a chamam de tabuleiro.

Aproveitando o gancho, morfologicamentea a palavra “cerrado” significa “fechado” ou “vegetação densa”. Até o final do século passado, as formações vegetais do Brasil Central eram conhecidas pelo nome genérico de “tabuleiros”. Onde a vegetação rasteira era bem desenvolvida, eram conhecidas por “tabuleiros cerrados”. Na segunda metade do século passado, “tabuleiro” passou a ser denominado “campo”, e as formações vegetais passaram a ser denominadas: “campo limpo”(formação predominantemente herbácea, com raros arbustos e ausência completa de árvores), “campo sujo” (é um tipo fisionômico exclusivamente arbustivo-herbáceo, com arbustos e subarbustos esparsos cujas plantas, muitas vezes, são constituídas por indivíduos menos desenvolvidos das espécies arbóreas do Cerrado sentido restrito) e “campo cerrado” (Vegetação de gramíneas com um pouco mais de arbustos e poucas árvores). Mais recentemente, o termo “cerrado” tem sido utilizado para designar a vegetação característica que ocorre na região central do Brasil.

Voltando à questão do tabuleiro, foi principalmente nas áreas dessa vegetação que a Mata Atlântica sofreu grande degradação. O tabuleiro, possivelmente, inspirou Tororó do Rojão e Gerson Filho (sanfoneiro e esposo de Clemilda) a compor “coco no tabuleiro” gravado pela RCA Canden em 1969. Clemilda Ferreira da Silva - aquela mesmo do “seu Delegado prenda o Tadeu” - nasceu em São José da laje, região da Zona da Mata Alagoana.



Devastada desde o início da colonização, a Mata Atlântica, "assolada" pela extração do pau-brasil e pela produção de cana-de-açúcar, arqueja melancolicamente em áreas de mata ciliar (termo utilizado para fazer referência à formação vegetal que se desenvolve às margens de rios, córregos, lagos, represas e nascentes). Uns "tantinhos assim" de mata podem ainda ser avistados em áreas de preservação e em parques.

No CD da banda Maranhense Tribo de jah, “Refazendo” de 2008, a música Mata atlântica fala da histórica devastação do bioma e, nos incentiva a preservar o bocadinho que ainda resta.



O escritor paraibano José Lins do Rego retrata em cinco romances que chamou de "Ciclo da Cana-de-Açúcar, a zona da mata num período crítico de transição: a decadência dos engenhos triturados pelas gigantescas usinas. No livro "O Rio" uma reunião inédita de poemas de João Cabral de Melo Neto, o escritor recifense fala do rio Capibaribe ao entrar na zona da mata pernambucana:

“Foram terras de engenho, agora são terras de usina. É o que contam os rios, que vou encontrando por aqui. ”

O Rei do Baião interpretou com autoridade a decadência dos velhos engenhos na composição de Capiba “Engenho Massangana” de 1978.



Nessa sub-região nordestina estão localizadas as capitais de seis estados: Natal (Rio Grande do Norte), João Pessoa (Paraíba), Recife (Pernambuco), Maceió (Alagoas), Aracaju (Sergipe) e Salvador (Bahia).

Espremido entre o litoral e o Sertão está o Agreste (foto ao lado). Localizado numa zona de transição climática: entre o clima quente e úmido da Zona da Mata (litorâneo úmido) e o clima quente e seco (tropical semiárido) do Sertão. Na porção leste do Agreste Chove que é uma beleza, Nas áreas mais secas, a vegetação mais parece a caatinga.

Não podemos deixar passar batido! Foi nesse Cenário, na cidade de São Bento do Una, interior pernambucano limite do agreste para o sertão, nasceu o cantor e compositor Alceu Valença.

O grupo Som da terra gravou em 1975 o long play “Agreste”. As canções exaltam as nossas raízes, sobretudo, o povo nordestino, sua cultura e a sua história.

Na música “chuva perdida” de Juvenal Lopes, o grupo Pernambucano retrata a falta de chuva e a seca que, muitas vezes, castiga o oeste do agreste.



Os Planaltos elevados do Agreste, como o planalto da Borborema (foto ao lado), formam verdadeiras barreiras para a penetração de massas de ar oceânica. Quando os “paredões” do planalto formam gargantas (vales) na direção do oceano, as massas de ar penetram por estes vales e chegam a atingir áreas situadas no interior do sertão. Formam-se, então, um contraste da gota serena dentro do sertão: por um lado os brejos (vegetação verde e terras valorizadas) por outro, pés de serra (paisagem seca e acinzentada).

Os brejos de altitude são encontrados em áreas do Planalto da Borborema, Chapada do Araripe, Depressão Sertaneja Meridional, Serra da Ibiapaba e Maciço de Baturité

O cenário triste e desolador do pé de serra é representado no celebre long play “Meu Cariri” da gravadora veleiro, Marinês canta de Rosil Cavalcante, a composição título.


Vale ressaltar que mesmo com maior incidência de chuvas, o brejo apresenta períodos de estiagem; as músicas: deixei o meu cariri de Jota Fonseca e O Último pau de arara nos dão a dimensão disso.

No período colonial o agreste era zona de policultura (cultura de vários produtos) e criação de gado. Hoje, na região destaca-se a produção de milho, arroz, feijão, algodão, laranja e o agave (planta da qual se extrai o sisal, uma fibra vegetal utilizada na fabricação de cordas, bolsas, tapetes etc.).

O Agave (sisal) é uma planta originaria do México e, segundo consta, introduzido no Estado da Bahia em 1903. Hoje, a exploração do sisal concentra-se no interior da Bahia (87%), Paraiba(7,4%) e Rio Grande do Norte(5,2%). “O Som do Sisal” é uma das mais belas pérolas da recente música regional Nordestina. Trata-se de um projeto inovador que faz de oficinas de música e construção de instrumentos musicais com material extraído da planta símbolo da região do semiárido Baiano. O idealizador do projeto, sediado em Conceição do Coité, é o músico Josevaldo Silva.



No Agreste encontram-se verdadeiros centros regionais: Campina Grande, no estado da Paraíba; Caruaru e Garanhuns, no estado de Pernambuco; Feira de Santana, no estado da Bahia.

O Moderno Dicionário Brasileiro, descreve o Sertão como lugar longe para a molesta de povoações ou de terrenos cultivados, léguas da costa e sem um pé de pessoa, entetanto, muita coisa mudou.
O Sertão Constitui a terceira sub-região do Nordeste, no sentido do litoral para o interior. É uma área sujeita a secas periódicas, que vem ocorrendo desde o período colonial.

Em 1963, Luiz Gonzaga gravou a música “Vozes da Seca”, composição feita em parceria com Zé Dantas. Uma forma poética de denunciar a omissão dos governantes no que se refere ao combate à seca. Em 1972 o Quinteto Violado, em seu primeiro disco, regravou a música pela Gravadora Phillips.



O Sertão caracteriza pelo clima seco, com regime de chuvas dividido em duas estações: a chuvosa, entre os meses de verão e de outono, e outra seca, que se estende pelos meses de inverno e primavera. A vegetação de caatinga domina toda a extensão dessa região. É formada por vegetais xerófilos, isto é, vegetais adaptados às regiões secas ou de pouca umidade. Suas raízes são compridas, aprofundando-se bastante para buscar água no interior do solo.

O Umbuzeiro é um Exemplo de planta Xerófila. A Música “Umbuzeiro da saudade” cantada por Luiz Gonzaga, recebe nessa regravação a belíssima interpretação de Maria da Paz (em memória). O seu CD Vida de Viajante lançado em 2003 foi indicado ao Grammy Latino em 2004.



A hidrografia do sertão é formada por rios temporários, chamado também de intermitente, e rios permanentes ou perene. O Rio Acaraú, no Ceará, é um exemplo de rio temporário que chega a secar nos períodos de seca prolongada. O Rio São Francisco, por outro lado, é um rio permanente, pois, não desaparece nos períodos de seca.

Contudo, o velho chico está morrendo! Carlos Drummond de Andrade, em 1977, preocupado com o futuro do rio São Francisco, escreveu o poema “Águas e Mágoas do Rio São Francisco”. A baiana de Santo Amaro, Maria Bethânia, o declamou no espetáculo Bethânia e as Palavras em março de 2011.



Atualmente, nas margens dos maiores rios da região, observa-se o ingresso de capital nacional e internacional na agricultura. As empresas agrícolas desenvolvem especialmente a fruticultura irrigada (uva, melão, melancia, manga, abacaxi), por outro lado, o pequeno agricultor (agricultura familiar) sobrevive da cultura de subsistência (melancia, jerimum, feijão, milho). Para reforçar o dito, canta “Galope a Beira Mar” Antônio Alves e Pedro de Santa Helena.



O Sertão foi retratado na literatura, através da cearense Rachel de Queiroz, do escritor alagoano Graciliano Ramos, como também, do já citado pernambucano João Cabral de Melo Neto.

São importantes cidades-pólo e centros urbanos do Sertão Nordestino: Serra Talhada, Petrolina e Araripina em Pernambuco, Patos, Pombal, Piancó, Monteiro, Sousa e Cajazeiras na Paraíba, Vitória da Conquista e Juazeiro na Bahia, Picos no Piauí; Juazeiro do Norte, Sobral, Icó e Crato no Ceará; Mossoró e Caicó no Rio Grande do Norte, entre outras.

O Meio Norte compreende extensa área entre o Piauí e o Maranhão. Constituindo a transição entre o Nordeste seco, Amazônia e o Cerrado (chapadas, mata de cocais nas várzeas e baixadas). A Região é banhada por rios perenes que nascem nas áreas elevadas das chapadas e correm em direção ao Atlântico.

No Piauí caracteriza-se de caatinga; no Maranhão o clima é mais úmido. No litoral estão os Mangues, com arvores altas e as dunas que formam os lenções maranhenses. Na Região, especialmente na área que apresenta características da Amazônia, destaca-se as mulheres catadeiras de coco de babaçu (foto ao lado).

Aproveitando o dito, escutemos um grupo formado por quebradeiras de coco dos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. Elas cantam seus modos de vida, seus valores, seu dia a dia e nos trazem mais uma realidade da diversidade do povo brasileiro.



A Plantação de arroz é outro destaque econômico dessa área...

Mas isso é abocamento pra outro dia.

Para Sempre seja Deus Louvado.


01- As informações abaixo apresenta as quatro sub-regiões do Nordeste brasileiro, com algumas de suas características:

I - A policultura comercial praticada em pequenas propriedades é a principal atividade econômica dessa sub-região. As áreas mais úmidas e aproveitadas para a agricultura são reconhecidas como "brejos". Abriga algumas das cidades mais importantes do Nordeste, como Feira de Santana, Caruaru e Campina Grande.

II - Compreende o Maranhão e quase todo o Piauí. Sua principal atividade econômica é o extrativismo vegetal, destacando-se a carnaúba e o babaçu, que empregam grande quantidade de mão-de-obra em sua coleta. Seus produtos são empregados no artesanato local e como matéria-prima para as indústrias.

III - Estreita faixa de terra que se estende do litoral do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Apresenta clima tropical úmido. Possui belas praias e dunas. Tem grande destaque na produção de cana-de-açúcar, fumo e cacau e na exploração mineral de petróleo e sal marinho.

IV - Corresponde a uma vasta sub-região castigada pela aridez de seu clima. Submetida a secas freqüentes, sua vegetação é constituída por árvores e arbustos recobertos de espinhos. Desde o início de sua ocupação, a pecuária é a atividade econômica mais importante.

Marque a opção que nomeia de forma CORRETA as regiões I, II, III, IV respectivamente:

a) Meio-norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata.
b) Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-norte.
c) Agreste, Meio-norte, Zona da Mata e Sertão.
d) Agreste, Zona da Mata, Meio-norte e Sertão.
e) Sertão, Agreste, Zona da Mata e Meio-norte.


02- (TJ-SC/2011) A regionalização do espaço brasileiro, oficializado pelo IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divide o país em cinco macrorregiões geoeconômicas: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na região Nordeste os espaços geográficos são muito diversificados. A natureza e a história dividiram o Nordeste em sub-regiões, áreas menores que possuem uma série de características comuns que diferem uma das outras.

De acordo com o mapa, todas as sub-regiões estão identificadas e caracterizadas corretamente, EXCETO:


a) A letra “C” é a maior das sub-regiões do Nordeste, ocupada em sua maior parte pelo Polígono das Secas. Cortada pelo rio São Francisco onde se destacam dois projetos de desenvolvimento para a região. Um, polêmico, o de transposição das águas do São Francisco; outro, de sucesso, a fruticultura irrigada envolvendo os municípios de juazeiro, na Bahia e Petrolina, em Pernambuco.

b) A letra “D” é o Agreste, região de transição entre a Zona da Mata úmida e o Sertão semi-árido. Corresponde ao topo do planalto da Borborema. As áreas mais úmidas são conhecidas como “brejos”, onde se pratica uma policultura para abastecer as capitais litorâneas.

c) No Agreste da Paraíba se destaca a cidade de Campina Grande que por receber a instalação de diversas empresas do setor, se destaca como pólo tecnológico da região.

d) A letra “B” corresponde à Zona da Mata, primeira região brasileira a ser ocupada e povoada. Recebe esta denominação devido à ocorrência da Floresta Tropical Úmida ou Mata Atlântica que ainda recobre a maior parte da região.

e) A letra “A” corresponde ao Meio Norte, compreendendo os Estados de Maranhão e Piauí. É uma faixa de transição entre a Amazônia e o Sertão. Das palmeiras que predominam nesta sub-região podem ser extraídas substâncias importantes para a economia da região.


3 - Porquê o norte de minas Gerais encontra-se dentro da região geoeconômica nordeste?

O norte de Minas tem características (físicas, humanas e sócioeconômicas semelhantes aos demais estados do Nordeste). Ou seja, o clima e vegetação são muito parecidos com os da região Nordeste, as características culturais, sociais e econômicas também. Assim, convencionou-se que esta parte do estado de Minas Gerais fosse integrada ao complexo do Nordeste, por conta dos parâmetros levados em conta e das características em comum.